À beira de uma praia deserta, dois amigos de longa data, Zeca e Cido, caminhavam sob o sol quente quando algo brilhou na areia. Era uma lâmpada de bronze, antiga e descascada.
Cido, o mais apressado, limpou o objeto e, num estalar de dedos, um gênio surgiu entre fumaças azuis.
— Por terem me libertado, concederei um único desejo que valerá para os dois — trovejou a entidade. — Mas cuidado: o desejo deve ser escolhido em comum acordo até o pôr do sol, ou a lâmpada desaparecerá.
Cido, cujos olhos já brilhavam com a cobiça, gritou imediatamente:
— Quero uma montanha de ouro! Seremos os homens mais ricos do mundo, Zéca! Pense nas festas, nos palácios e no poder!
Zéca, porém, sentou-se na areia e olhou para o horizonte.
— Cido, o ouro traz ladrões e preocupações. Se tivermos uma montanha de ouro, nossa amizade morrerá na disputa por cada grama. Eu prefiro desejar uma fonte eterna de saúde e paz. Com o corpo são e a mente tranquila, podemos trabalhar e conquistar o que quisermos, sem medo.
A discussão começou. Cido chamava o amigo de tolo; Zéca chamava o outro de imprudente. O sol começou a beijar o mar, tingindo o céu de laranja. A ganância de um não cedia à cautela do outro. Cido queria o mundo aos seus pés; Zéca queria o mundo dentro de si.
Quando o último raio de sol sumiu no oceano, o gênio soltou uma gargalhada profunda e desapareceu, levando a lâmpada consigo para as profundezas. Os dois ficaram ali, parados na areia escura, com as mãos vazias. Tinham perdido a oportunidade não porque o gênio era ruim, mas porque a ambição de um e a intransigência do outro impediram o equilíbrio.
Moral:
A oportunidade perdida por falta de entendimento é o maior prejuízo que dois amigos podem sofrer; a teimosia em querer tudo impede que se ganhe o essencial.
Imagem: Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing
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